segunda-feira, outubro 04, 2010

De otro, de ningún, todo en mi es naufragio

Y la ternura, leve como el agua y la harina

Y la palabra apenas comenzada en los labios.

Todo en ti fue naufragio!

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. 

Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Pablo Neruda

quinta-feira, junho 24, 2010

Angústia de ser escravo do outro

A liberdade  é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade de dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só nasceste escravo.

Ainda não consegui não sofrer com a minha solidão. Tão difícil é obter aquela distinção de espírito que permita ao isolamento ser um repouso sem angústia.

Fernando Pessoa

 

segunda-feira, abril 05, 2010

Phosphatidylinositol-4-Phosphate Phosphatase

Quem me dá mais ph's num só nome, hein? Melhor que isto só fazer estudos superiores nos Países Baixos.

domingo, abril 04, 2010

Bullshiting a way out

Last lesson to learn during the PhD: how to bullshit effectively. Forget all you've done, or wanted to do. In the end, it amounts to little more than nothing. Bullshitting is all there is to it. Bullshit fast, bullshit good - you'll do just fine.

Pan leu e gostou de...

"A novia de Odessa" de Edgardo Cozarinsky

"(...) Lisboa hace hitos turísticos de sus glorias defuntas. El visitante que se fotografía junto a la estatua de bronce de Pessoa (...) es probable que no suspeche hasta qué punto la extrema singularidad de esa obra es típica, por lo excepcional, del destino del país que vio nascer a su autor, de la ciudad donde vegetó oscuramente. " 



quinta-feira, março 11, 2010

Gente feliz com lágrimas

Por estes dias lembrei-me deste livro de João de Melo e ocorreu-me pensar que é bem mais difícil sorrir que chorar. Curioso, não? Mas não há lágrima que não seque e sorriso que não volte. E ainda que por um só momento, dei por mim a cantar Just be thankful for what you've got...


domingo, fevereiro 21, 2010

D'une finesse sublime

Not so often do we find yourselves overwelmed by the sublime beauty of a song. This lady overwelmed me yesterday.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

O Livro de Segunda

Saudades! Tenho-as até do que me não foi nada, por uma angústia de fuga do tempo e uma doença do mistério da vida. Caras que via habitualmente nas minhas ruas habituais - se deixo de vê-las entristeço; e não me foram nada, a não ser o símbolo de toda a vida.

O velho sem interesse das polainas sujas que cruzava frequentemente comigo às nove e meia da manhã? O cauteleiro coxo que me maçava inutilmente? O velhote redondo e corado do charuto à porta da tabacaria? O dono pálido da tabacaria? O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu - a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim - sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que outros vagamente evocarão com um "o que será dele?". E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer.

do Livro do Desassossego

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O rasto alegre de uma lesma!


vai na volta nasci para ser lesma...e lesmar pelo verde apetitoso de uma folha de couve....e espalhar alegremente a minha gosma pelo caminho!sim é isso!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Acordar tarde

Eis o que tenho feito ultimamente - acordar tarde. Que mais resta fazer neste Inverno escuro e frio?

domingo, janeiro 24, 2010

Um cigarro e um beijo

Pedi-te um dia um cigarro
Acedeste ao meu desejo
E tu num gesto bizarro
Em troca pediste-me um beijo

Com esta troca afinal
Que fizemos a brincar
O bolo nao era igual
E tu ficaste a ganhar

Mas a culpa foi só minha
Beijar por coisa tão pouca
Não sei o que o beijo tinha
Que queimou a minha boca

do Fado cantado por Saudade dos Santos

quarta-feira, janeiro 20, 2010

jorge palma - tudo por um beijo

Gosto desta música
Gosto de Lisboa
Gosto do sol de Lisboa
Gosto das ruas e ruelas
Gosto de ter passado por aqui
Adoro todos aqueles que partilharam estes momentos comigo
Este clip podia bem ter sido feito por nós

terça-feira, janeiro 19, 2010

...quanto vale um beijo



não há como o Jorge Palma para nos embalar com as verdades da vida, "enquanto houver ventos e mar... "

terça-feira, janeiro 12, 2010

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Acabou de passar na rádio, pena não existir no utubo

Estava difícil combinar um café, mas desta vez lá foi
Talvez possamos falar do que já lá vai que as vezes ainda dói
Da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
Sabes, eu também ando um bocado perdido.

Vou preparar-te um jantar, concerteza vou ser original
E vou escolher-te um bom vinho. Tu sabes, nunca me saí mal
Vou falar-te das voltas que a vida trocou
Das verdades que o tempo já entrelaçou
Entre sonhos queimados lançados ao vento
Entre a cor de um sorriso e o tom de um lamento
E dizer-te de um sopro empurrado pela sorte
Sabes, eu também ando um bocado sem norte

Olha, não fiz sobremesa. Deixa lá, fica para a outra vez
Vamos deixar mais um copo a falar dos quês e dos porquês
Uma historia que nos apeteça lembrar
Um episódio que nunca nos deu para contar
Um segredo guardado p’lo cair do pano
Um encontro marcado no cais do engano
E dizer-te na hora em que a voz fraquejar
Sabes, eu também me apetece chorar

E vou chamar um táxi. É hora p’ra te levar a casa
Era suposto um de nos nesta altura ficar com a alma em brasa
Mas a vida é assim, não aconteceu
Pouco importa dizer, foste tu ou fui eu
O que importa é o abraço que estava por dar
Há-de haver uma próxima e mais um jantar e
E dizer-te a sorrir já passa das três
Dorme bem, quem sabe … um dia talvez.
Sebastião Antunes, «Cá dentro»

Os teus olhos são dois girassóis

domingo, janeiro 10, 2010

Leitura de Domingo

Domingos são dias santos. Dias de descanso. Vésperas de trabalho. Em nada se comparam com a Sexta-feira, véspera de descanso e promessa de prazeres, ou mesmo com o Sábado, esse cobardolas que se esconde atrás do capote do Domingo. Mas é ao Domingo que pertence a honra de iniciar uma nova semana, de traçar essa linha sempre fina e bamboleante entre o antes e o depois. É pois ao Domingo que dedico mais uma excelente rubrica deste blog: Leitura de Domingo.

Deixar para trás o berço cultural e mergulhar na multitude de outras Histórias, faz-me sempre questionar coisas que antes pareciam óbvias. Faz-me parar e pensar porquê. Hoje reli avidamente o célebre discurso de Antero de Quental, proferido em Lisboa em 1871: As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. Aqui fica um excerto:


O que realmente fomos; nulos, graças à monarquia aristocrática!,Essa monarquia, acostumando o povo a servir, habituando-o à inércia de quem espera tudo de cima, obliterou o sentimento instintivo da liberdade, quebrou a energia das vontades, adormeceu a iniciativa; quando mais tarde lhe deram a liberdade, não a compreendeu; ainda hoje a não compreende, nem sabe usar dela. As revoluções podem chamar por ele, sacudi-lo com força: continua dormindo sempre o seu sono secular!

Dorme ainda Portugal?